Castelo de Vila Viçosa


O Castelo de Vila Viçosa foi mandado edificar por D. Dinis e já estava erguido em 1297. Na alcáçova, fruto das numerosas intervenções posteriores, pouco resta da construção inicial.

Em 7 de Julho de 1382, Gonçalo Vasques de Azevedo, Fronteiro antre tejo e Odiana, junta aqui capitães, alcaides e outros fronteiros menores, para defender o Alentejo invadido pelos castelhanos. Entre aqueles estava o jovem Nuno Álvares Pereira. Em Julho de 1383, partem seis mil homens de Vila Viçosa para a fronteira de Elvas.

Morto o rei D. Fernando, Vila Viçosa pela voz do seu alcaide-mor Vasco Porcalho, e contra a voz dos seus naturais, toma o partido de Castela. Vila Viçosa só volta a ser portuguesa após a batalha de Aljubarrota, sendo doada pelo rei D. João I ao Condestável D. Nuno Álvares Pereira.
Castelo de Vila Viçosa

D. Fernando, Conde de Arraiolos por doação de seu avô D. Nuno Álvares Pereira, e 2º Duque de Bragança, pela morte prematura de seu irmão mais velho D. Afonso, Conde de Ourém, instala-se em Vila Viçosa. Desde então, foi este o lugar de eleição dos Duques de Bragança, que residem na alcáçova do castelo até c. 1502, quando se inicia a construção do Paço do Reguengo, actual Paço Ducal de Vila Viçosa.

As funções exclusivamente militares que o castelo assume a partir do século XVI, exigem alterações profundas. O seu traçado de castelo artilheiro, único em Portugal, deve-se às obras promovidas por D. Teodósio I, com traça de Benedetto da Ravenna, o arquitecto responsável pela Fortaleza de Mazagão no Norte de África.

Na sequência da Restauração e para fazer face à guerra, o Castelo é adaptado por Cosmander às necessidades defensivas da época, com a adição de um sistema estrelado poligonal e reforço dos muros da cidadela. De novo, em 1662, Schomberg fortifica-o, para o último grande episódio bélico vivido por esta fortaleza, a vitória sobre o exército castelhano comandado pelo Marquês de Caracena na batalha de Montes Claros, em Junho de 1665.

Até finais do século XIX albergou um regimento de Infantaria.

Restauradas as muralhas nos anos 30/40 do século XX pela Direcção Geral dos Edificios e Monumentos Nacionais, a conservação das muralhas e alcáçova do Castelo de Vila Viçosa têm sido promovidas pela Fundação da Casa de Bragança.

Actualmente alberga dois museus: o Museu de Arqueologia e o Museu da Caça.


Museu de Arqueologia


Em Maio de 1999 abriu ao público a colecção de Arqueologia que se encontra no Castelo de Vila Viçosa. Este espaço expositivo foi inteiramente remodelado e modernizado, tendo as peças sido sujeitas a estudo, consolidação e restauro.

Vaso de vísceras - Egipto

A Colecção é apresentada cronologicamente ao longo dos espaços que se distribuem pelo piso térreo. Embora todos os períodos estejam representados, é inegável o peso dos núcleos dedicados à presença romana, que aparece retratada nos vários aspectos do quotidiano, através do abundante espólio - sobretudo cerâmica - recolhido em inúmeras campanhas de escavação nesta região.

Podem igualmente ser vistas algumas peças que pertenceram às colecções arqueológicas reunidas pelo rei D. Luis I e elementos arquitectónicos de vários períodos que foram sendo recolhidos na sequência das sucessivas obras no património edificado de Vila Viçosa e arredores.

A visita ao Museu de Arqueologia do Castelo encontra-se integrada na visita ao edifício, que inclui igualmente o Museu da Caça



Museu da Caça


Pormenor do museu

O Museu da Caça representa um importante núcleo museológico quer pela qualidade e quantidade dos objectos expostos, como pela originalidade do projecto que lhe deu vida dentro do panorama nacional. Recentemente criado, foi efectuada a simbiose entre espaços arquitectónicos carregados de história e importantes pelo seu valor artístico intrínseco e as colecções que aí se decidiu expôr.

Patente no Castelo de Vila Viçosa, está a colecção que o Eng. Manuel Lopo de Carvalho, antigo membro da Junta da Casa de Bragança, aqui depositou e que a Fundação por sua vez se obrigou a expôr condignamente.


Esta colecção riquíssima de espécies venatórias, inclui numerosas aves europeias e troféus de caça de origem africana, bem como alguns exemplares propriedade da Fundação, como o crâneo de elefante pigmeu.


O grande núcleo de armas gentílicas (c. 200 exemplares) foi oferecido ao rei D. Carlos e ao Príncipe D. Luis Filipe em 1907 quando da visita deste último às antigas colónias ultramarinas, nomeadamente a Moçambique.

A colecção de armas de fogo integra numerosos exemplares de carabinas de caça, destacando-se o elevado número de peças de marcas de renome mundial PURDEY, HOLLAND & HOLLAND, etc., bem como a Pateira que esteve instalada num dos iates reais Amélia.

Painel com armas africanas