Paço Ducal


O Paço Ducal é um edifício monumental cuja construção se iniciou em 1501, por decisão do quarto Duque de Bragança, D. Jaime. As campanhas de engrandecimento e melhoramento sucederam-se ao longo dos séculos XVI e XVII, conferindo ao edifício a dimensão e as características actuais - a fachada com 110 metros de comprimento é única na arquitectura civil portuguesa e revela inspiração clássica.

Com a ascensão da Casa de Bragança ao trono de Portugal em 1640, Vila Viçosa passará de residência permanente da primeira família da nobreza nacional, a mais uma das residências reais espalhadas pelo reino. O Paço Ducal viverá de novo momentos áureos quando dos casamentos duplos dos filhos de D. João V e de D. Maria I com os filhos dos soberanos espanhóis seus contemporâneos, episódios conhecidos por Troca de Princesas. Nesses momentos novas campanhas de obras dotam o Paço de melhoramentos visíveis no andar nobre, cozinha e Capela.

Paço Ducal

No século XIX as até então esporádicas visitas da Família Real tornam-se frequentes, sendo o Paço arranjado sucessivamente nos reinados de D. Luis e D. Carlos para com maior conforto receber a família e larga comitiva durante as suas excursões venatórias anuais.

Com a implantação da República em 1910, o Paço Ducal encerra as portas, que serão reabertas nos anos quarenta, já após a criação da Fundação da Casa de Bragança, por vontade expressa em testamento por D. Manuel II.

Na visita ao Paço Ducal percorre-se o Andar Nobre, piso onde estão concentradas as colecções de Artes Decorativas: colecções de pintura, escultura, mobiliário, tapeçarias, cerâmica e ourivesaria. Estas peças são valorizadas pelo imponente espaço que inclui frescos e azulejos seiscentistas, tectos em caixotões e pintados, lareiras em mármore com elaborados programas decorativos. A cozinha onde termina a visita deixa uma impressão indelével pelas suas dimensões e pela quantidade de utensílios em cobre que encerra.


Ao longo dos últimos anos, tem decorrido um intenso programa de conservação preventiva e activa deste espaço museológico e um grande reforço das colecções através da aquisição de peças de incontestável valor artístico e do restauro de outras que estavam nas Reservas. A dimensão das colecções que alberga justificou o desdobrar dos núcleos e a opção de visitas temáticas.

Assim, o Paço dispõe actualmente de quatro núcleos museológicos de excepcional interesse:


Sala de Hércules
 
  1. Armaria
  2. Tesouro
  3. Carruagens
  4. Porcelana Azul e Branca da China


Armaria


Após a inauguraçãp em Junho de 1992 de um primeiro núcleo de Armaria no piso térreo do Paço Ducal, abriu em Outubro de 1997 a segunda e última parte, encontrando-se actualmente exposta a quase totalidade das peças das colecções nesta área. Esta mostra é constituída por dois grandes núcleos, ambos instalados no que foi o Paço original fundado nos inícios de quinhentos por D. Jaime, quarto duque de Bragança, ainda dentro de uma gramática arquitectónica gótica com manifesta influência moçárabe.

Vista parcial da Armaria

A primeira parte integra o que de melhor havia nas vastas colecções da dinastia de Bragança, fruto de numerosas ofertas e de encomendas que reflectem a importância que a caça e o tiro tinham para a Família Real. Neste primeiro núcleo são de realçar as pistolas e espingarda truchada de FRANZ MAZENKOPF, a espingarda assinada por BARTOLOMEU GOMES (depósito de particular), o protótipo de bacamarte de seis canos rotativos BECKWITH, Londres (c. 1850) a utilizar nas diligências, o revólver disparado pelo Príncipe D. Luis Filipe no dia do Regicídio, e os núcleos constituídos pelas armas exóticas da colecção de D. Fernando II - africanas e asiáticas, pela grande variedade de peças do fabricante parisiense DEVISME, pela significativa colecção de armas de caça utilizadas por este monarca.

A segunda parte, organizada de forma sistemática, evoca o armamento e apetrechos utilizados nas diversas lides bélicas ao longo dos últimos quatrocentos anos, nos mares e em terra, nos torneios ou nas salas de esgrima. Estão igualmente expostos núcleos de armas exóticas, de arreios, material para o fabrico de munições e um breve apontamento sobre a lide tauromáquica, que integra o estoque que o célebre Mazzantini ofereceu a D. Carlos.


Tesouro


A Cruz de Vila Viçosa, precioso receptáculo de um fragmento do Santo Lenho, é obra executada entre 1656 1673 por Filipe Vallejo, por ordem do Duque D. João II (D. João IV de Portugal), dando assim cumprimento a um voto de seu pai D. Teodósio de Bragança. Esta peça somente, pelo valor intrínseco e pelo valor histórico e religioso que possue, exigiria da Fundação o arranjo de um espaço condigno e seguro. A preparação deste núcleo no andar térreo orientou-se por esta necessidade, adoptando uma museografia discreta que permite a leitura dos objectos individualmente e dentro dos conjuntos que se escolheu reunir. A essa peça fundamental vieram juntar-se mais 170, na sua maioria da propriedade de um coleccionador particular.

Vista parcial do Tesouro

De entre o espólio do Paço resguardaram-se no Tesouro outras peças de Ourivesaria, nomeadamente a Cruz de D. Catarina de Bragança, a Caravela-Cofre e alfaias de culto; Pintura e Tapeçaria flamengas de Quatrocentos, 2 Tikis Maoris neo-zelandeses; Paramentos em lhama e bordados a ouro; e algumas peças notáveis de cerâmica.

A colecção aqui depositada faculta ao visitante um relance sobre um núcleo de Ourivesaria civil que incide sobre os séculos XVIII e XIX, época áurea dessa arte em Portugal em que ressaltam nomes como João Coelho Sampaio. Incluem-se igualmente peças de Joalharia, Pintura, Cerâmica, Vidros, Escultura -veja-se a Santa Bárbara flamenga ou a colecção de marfins indo-portugueses.



Colecção de Carruagens


Desde a abertura ao público do Paço Ducal no final dos anos 40, que a visita incluía a Cocheira Real, onde se encontravam uma dúzia de carros (coches, berlindas, landaus.)

Coche Português, séc. XVIII

O mais importanta depósito é do Museu Nacional dos Coches. Ao núcleo inicial juntaram-se entretanto numerosos carros de campo adquiridos pelo Estado a D. José de Siqueira, vindos directamente de Alenquer.

A 18 de Maio de 1984 abriu a actual colecção que reune 80 carros dos séculos XVII a XX e numerosos arreios, a maior e mais variada da Europa. A manutenção das instalações, a segurança contra roubo e incêndio e a gestão quotidiana são da responsabilidade da Fundação; o pessoal pertence aos quadros do Museu Nacional dos Coches.



Porcelana Azul e Branca da China


A colecção de porcelana Azul e Branca da China, propriedade de J.G. do Amaral Cabral (em depósito a longo prazo), é considerada a mais significativa colecção particular de porcelana chinesa da Península Ibérica.


Garrafa, Dinastia Ming, séc. XVI

Sendo a mais recente exposição aberta ao público, apresenta cerca de 100 peças de porcelana chinesa dos séculos XVI-XVII.

Na sua quase totalidade são peças de porcelana branca pintadas a azul cobalto sob o vidrado, uma tipologia que foi desde os primeiros contactos cara ao mercado português. Isto mesmo prova esta colecção particular, cedida para exposição neste espaço, que foi adquirida em Portugal ao longo das últimas décadas.

Através da evolução das formas, da leitura da rica simbologia personificada em animais, plantas e objectos tradicionais, é toda a evolução política e sócio-religiosa do Grande Império do Oriente que é possível acompanhar.